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Conheça Alice and Steve, a comédia ácida e desconfortável que conquistou a crítica

 

Arte promocional de "Alice and Steve" com três personagens sobre fundo verde-escuro: uma mulher séria em destaque, uma jovem ao fundo e um homem segurando flores e um cartão de desculpas. À direita, o título da produção aparece em letras rosas.

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1. Introdução: A "Wrong-Com" que Você Não Pode Perder

Esqueça as fórmulas gastas das comédias românticas palatáveis. Alice and Steve, a nova joia do Disney+ (via selo Hulu), apresenta-se como uma "true hate story" — uma história de ódio real, visceral e magnificamente desconfortável. Definida pela crítica como uma "anti-comédia romântica" ou "wrong-com", a série carrega o selo de excelência de Sophie Goodhart (cuja escrita afiada já conhecemos de Sex Education) e chega ao streaming com o prestígio de ter dominado o Canneseries 2026, vencendo nas categorias de "Melhor Série" e "Prêmio Especial de Interpretação". É uma produção que subverte expectativas, trocando o "viveram felizes para sempre" por uma desconstrução satírica da lealdade.

2. A Premissa Explosiva: Quando a Amizade Cruza a Linha

A trama se sustenta sobre um pilar de 30 anos de amizade platônica e absoluta entre Alice e Steve. A química entre eles é tão intrínseca que Steve é, essencialmente, a "alma gêmea platônica" de Alice — uma conexão que muitas vezes eclipsa o próprio marido dela. O equilíbrio, porém, implode quando Steve começa a namorar Izzy, a filha de Alice, de 26 anos. O tom que se segue é de uma ironia cáustica: não se trata apenas de um romance inusitado, mas do gatilho para uma guerra de atrito emocional. A série evita o melodrama barato para mergulhar no "cringe humor" e na guerra psicológica, transformando o constrangimento em uma ferramenta de reflexão sobre o egoísmo e a posse.

3. O Elenco e o Poder das Atuações: Nicola Walker e Jemaine Clement

A força motriz da série reside em performances que transcendem o texto. Nicola Walker (Alice) entrega o que pode ser chamado de "performance barnburner". A atriz revelou que este é o papel mais próximo de sua própria personalidade, canalizando uma "raiva parental" genuína para compor uma protagonista vulcânica, que transita entre a mágoa profunda e uma ferocidade destemida. Walker despe Alice de qualquer vaidade, oferecendo um retrato cru de uma mulher que vê seu porto seguro ser invadido.

Jemaine Clement (Steve) realiza um trabalho de sutil complexidade. Longe de ser um "vilão clichê" ou um predador caricato, seu Steve é movido por uma solidão genuína e um "desejo proibido" que ele próprio reconhece como um erro, mas não consegue abandonar. Clement explora o patético e o humano de forma equilibrada, evitando que o personagem se torne meramente deplorável.

O elenco de apoio é crucial para a dinâmica de caos:

  • Izzy (Yali Topol Margalith): Embora alguns críticos apontem a personagem como um "dispositivo de roteiro" para detonar o conflito, ela representa o estopim necessário. A falta de química profunda entre ela e Steve parece ser proposital: o foco não é o amor deles, mas o rastro de destruição que deixam.
  • Daniel (Joel Fry): O marido de Alice é o contraponto afável, mas sua paciência tem limites. A série eleva as apostas ao mostrar Daniel buscando sua própria autonomia e conexão com a colega Marni, enquanto Alice se perde em sua obsessão por vingança.
  • Dom (Tyrese Eaton-Dyce): O filho bondoso que tenta navegar em sua própria fluidez amorosa com Rome, servindo como o espelho da sanidade (ou da tentativa dela) em meio ao colapso dos adultos.
  • Val (Marcia Warren): A avó que oferece um alívio cômico absurdo. Com uma postura totalmente blasé e um desapego hilário diante do escândalo sexual que consome a família, a performance da personagem foi aclamada pela imprensa britânica, sendo descrita pela crítica de TV como "maravilhosamente francesa" devido ao seu charme excêntrico e indiferença cômica.

4. Roteiro e Direção: A Anatomia do Constrangimento

O roteiro de Sophie Goodhart é magistral na construção de diálogos irônicos e sarcásticos que capturam a mesquinhez humana. Há uma honestidade brutal em cada troca de farpas. A direção de Tom Kingsley mantém um ritmo dinâmico em seis episódios de 30 minutos, equilibrando o riso nervoso com a profundidade emocional. A comparação com a série Beef (Netflix) é inevitável e precisa: Alice and Steve retrata um ciclo de escalada fútil e autodestrutivo, onde a vingança mesquinha suplanta a lógica. No entanto, o charme britânico e o cenário doméstico dão à série uma identidade própria, onde o "pointless and petty" (o inútil e o pequeno) ganha contornos de tragédia grega de subúrbio.

5. Por Que Assistir? Temas Universais sob uma Lente Provocativa

A série vai além do choque inicial para dissecar verdades desconfortáveis:

  • O Desafio de Deixar Ir: Através de uma excelente e ácida metáfora presente no roteiro de Sophie Goodhart — a ideia cirúrgica de que pais de jovens adultos deveriam apenas "mugir" em uma concordância passiva —, a série explora de forma brilhante a incapacidade de Alice de aceitar a autonomia e as escolhas da filha.
  • A Honestidade sobre o Envelhecimento: Alice é uma protagonista rara por sua total ausência de autopiedade. Ela aceita que seu tempo de protagonismo está passando, mas o faz com uma fúria que é, paradoxalmente, revigorante.
  • A Fluidez das Relações Modernas: O contraste geracional é nítido. Enquanto os jovens fogem de rótulos e buscam fluidez para evitar o peso das emoções, os mais velhos estão presos em lealdades e traições de três décadas.

Com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, a recepção crítica confirma: a série é um acerto raro que trata de sentimentos nus e crus.


6. Veredito Final e Debate

Alice and Steve não oferece respostas fáceis nem personagens para os quais você torcerá sem ressalvas. É uma obra que desafia o espectador a confrontar o "idiota" que existe em cada um de nós quando somos feridos. Inteligente, amarga e surpreendentemente tocante em sua reta final, esta é uma maratona obrigatória.

🎙️ O DEBATE ESTÁ ABERTO: De que lado você ficaria em uma briga de família onde todo mundo está errado e ninguém tem paz? A Alice está certa em surtar ao ver o melhor amigo namorando a filha dela, ou o Steve tem o direito de seguir esse "desejo proibido"?

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